Cadeira de Realizador
A cadeira de realizador saiu do estúdio e instalou-se nas cozinhas com ilha e nas varandas, por três razões concretas: assento alto, dobragem plana e lona substituível, o que a torna a única cadeira alta que se guarda num armário e se renova por vinte euros. Esta página trata das alturas de assento, das diferenças entre estrutura de madeira e de alumínio e do que verificar antes de comprar.
O formato e a sua geometria
A cadeira de realizador é uma estrutura em X, dobrável lateralmente, com assento e encosto em lona tensionada sobre travessas. A tensão do tecido é o que dá o conforto: o assento cede alguns centímetros e distribui a pressão, sem espuma e sem estofo. Daí resulta uma cadeira leve, entre 4 e 7 kg, que dobra num pacote plano de 12 a 18 cm de espessura, e que aceita ficar meses guardada sem se degradar.
A contrapartida está no encosto. É curto — tipicamente 20 a 30 cm de altura de lona — e apoia a zona lombar e a base das costas, não os ombros. É suficiente para uma refeição ou para uma hora de trabalho ao balcão; não é uma cadeira para estar sentado quatro horas seguidas. O apoio de braços é fixo, quase sempre em madeira ou alumínio, a cerca de 20 a 25 cm acima do assento, e serve de ponto de impulso para subir e descer, o que é relevante num assento alto.
A largura entre braços situa-se habitualmente entre 45 e 50 cm, e a profundidade do assento entre 40 e 45 cm. A carga declarada varia bastante: 100 a 120 kg nos modelos correntes e até 150 kg nos reforçados com travessa dupla. Como em qualquer assento doméstico, o valor ganha credibilidade quando vem acompanhado de referência a ensaio segundo EN 12520 e EN 12521; se a cadeira se destinar a uso não doméstico, em estúdio, restaurante ou espaço de eventos, a norma aplicável passa a ser a EN 16139, mais exigente porque prevê utilizadores múltiplos e uso intensivo.
Que altura de assento escolher
Este é o ponto onde mais compras correm mal, porque a cadeira de realizador vende-se em duas famílias de altura e a fotografia não permite distingui-las. A regra é simples: deve haver 25 a 30 cm entre o assento e a face inferior do tampo onde vai apoiar os braços.
| Superfície | Altura da superfície | Altura do assento | Nota |
|---|---|---|---|
| Mesa de jantar | 73 – 76 cm | 45 – 48 cm | Formato baixo; menos comum nesta cadeira |
| Bancada de cozinha | 88 – 92 cm | 60 – 65 cm | A altura mais vendida em cadeira de realizador |
| Ilha ou balcão de bar | 105 – 112 cm | 75 – 80 cm | Exige apoio de pés; sem ele as pernas ficam suspensas |
| Varanda, sem mesa | — | 60 – 75 cm | A altura escolhe-se pela vista sobre a guarda da varanda |
Meça a bancada antes de comprar, e meça a face inferior do tampo, não a superfície: um tampo de granito com 4 cm rouba esses 4 cm ao espaço das pernas. Repare ainda na travessa de apoio de pés: numa cadeira com assento a 75 cm, os pés de um adulto de 1,70 m não chegam ao chão, e sem barra transversal a posição torna-se desconfortável ao fim de vinte minutos. A lógica de alturas é a mesma dos bancos altos para cozinha e ilha, com a diferença de que a cadeira de realizador tem encosto e braços.
Madeira ou alumínio
Madeira — faia, seringueira ou nogueira — é o formato original e o que melhor se integra numa cozinha ou numa sala. Pesa 5 a 7 kg, tem tacto quente nos braços e não faz ruído metálico ao dobrar. Em contrapartida, não gosta de humidade permanente: numa varanda exposta a chuva, precisa de óleo de exterior uma vez por ano, e mesmo assim as travessas acabam por acinzentar.
Alumínio pesa 4 a 5,5 kg, é indiferente à humidade e é o material certo para varanda, esplanada ou terraço. O anodizado é preferível ao pintado em ambiente marítimo, pelas mesmas razões descritas em cadeira de praia de alumínio: a camada de óxido é integrada no metal e não descasca. Para uso permanente ao ar livre, procure referência à EN 581, a norma de mobiliário de exterior.
A lona: material, medidas e substituição
A lona é a peça que se gasta e a única que é normal substituir. Três materiais dominam:
- Algodão pesado ou lona de algodão. O aspecto clássico, o tacto mais agradável e a pior resistência a sol e humidade. Desbota e ganha bolor se ficar molhada. Adequado a interior.
- Poliéster 600D. O compromisso mais comum: seca depressa, resiste bem à radiação ultravioleta e custa pouco. É o material a escolher para varanda coberta.
- Textilene. Malha de poliéster revestida a PVC, respirável e de secagem imediata. É a melhor opção para exterior e a que menos aquece ao sol, embora tenha tacto mais rígido.
A substituição é directa quando a lona corre em bainha sobre as travessas: solta-se um par de parafusos, retiram-se as travessas do assento, enfia-se a lona nova e volta a montar-se, num trabalho de dez a quinze minutos. Quando a lona é fixa por rebites ou por costura à estrutura, não é substituível e a cadeira acaba com ela. Verifique este ponto nas fotografias de detalhe antes de comprar, porque é a diferença entre uma cadeira que dura dez anos e uma que dura três.
Onde funciona bem e onde não
Funciona particularmente bem em bancadas de cozinha, porque tem encosto e braços, ao contrário do banco alto simples, e porque dobra e desaparece quando se precisa de espaço para trabalhar. Funciona bem em varandas estreitas, pela mesma razão e porque a altura de assento a 60 – 75 cm permite ver por cima da guarda em vez de olhar para o betão. E funciona bem como cadeira de apoio para receber, guardada dobrada num armário, tal como as soluções descritas em cadeiras dobráveis para casa.
Funciona mal como cadeira de trabalho prolongado ao computador, por falta de apoio dorsal e por não ter regulação nenhuma; para isso a resposta está nas cadeiras de escritório. Funciona mal para pessoas com dificuldade em subir a um assento alto, pela mesma razão que qualquer banco de bar. E funciona mal em varanda com exposição total à chuva se for de madeira com ferragens zincadas. Em uso profissional de maquilhagem, onde a altura do assento também é elevada, os requisitos são outros — estabilidade da base e regulação — e estão tratados em cadeira de maquilhagem e de beleza.
Opções recomendadas na Amazon
Cadeira de realizador em madeira com assento a 60 – 65 cm
- Faia ou seringueira, 5 a 7 kg, com barra de apoio de pés
- Lona em bainha sobre travessas, substituível em quinze minutos
- Faixa habitual: 60 – 140 €
Cadeira de realizador em alumínio com lona técnica
- Alumínio anodizado, 4 a 5,5 kg, indiferente à humidade
- Textilene ou poliéster 600D; procure referência à EN 581
- Faixa habitual: 70 – 160 €
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Perguntas frequentes
Que altura tem uma cadeira de realizador?
As duas alturas mais vendidas são 60 – 65 cm de assento, para bancada de cozinha a 88 – 92 cm, e 75 – 80 cm, para ilha ou balcão a 105 – 112 cm. A regra é deixar 25 a 30 cm entre o assento e a face inferior do tampo, medida essa face e não a superfície.
A lona da cadeira de realizador pode substituir-se?
Pode, quando corre em bainha sobre as travessas: solta-se um par de parafusos, retiram-se as travessas e enfia-se a lona nova, em dez a quinze minutos. Se a lona estiver rebitada ou cosida à estrutura, não é substituível, pelo que convém verificar este ponto antes de comprar.
A cadeira de realizador é confortável?
É confortável para uma refeição ou uma hora ao balcão, porque a lona tensionada distribui bem a pressão. Não é adequada para estar sentado várias horas seguidas, uma vez que o encosto tem apenas 20 a 30 cm de altura e apoia a zona lombar mas não os ombros.
Pode ficar na varanda todo o ano?
Em alumínio anodizado com lona em textilene, sim, embora seja preferível recolher no inverno. Em madeira com ferragens zincadas, não: a ferrugem dos parafusos deixa escorridos permanentes na madeira e as travessas acinzentam. Para exterior, procure referência à norma EN 581.