Cadeiras de Jardim Reclináveis

Reclinar parece um detalhe de conforto e é sobretudo uma questão mecânica e de espaço. O mecanismo decide se a cadeira dura cinco anos ou uma época, o ângulo máximo decide para que serve, e a área ocupada quando está aberta decide se cabe no seu terraço. Esta página trata os três, e explica onde ficam os dedos quando a cadeira fecha.

Os quatro mecanismos de reclinação no exterior

O entalhe multiposição é o mais comum e o mais barato. O encosto tem um braço lateral com quatro a sete entalhes onde encaixa um perno. É simples e robusto quando o perno é metálico e o entalhe está numa chapa de aço; falha depressa quando o entalhe é em plástico moldado, porque o dente desgasta-se e a cadeira começa a saltar de posição sob peso. Verifique este ponto antes de tudo o resto.

O mecanismo de cremalheira contínua, típico das espreguiçadeiras de cama, usa uma barra dentada por baixo do encosto. Dá mais posições intermédias mas é sensível a areia e sujidade: se a cremalheira se entope, o encosto cai de repente. Uma escovadela e uma gota de lubrificante seco por época resolvem.

A reclinação de gravidade zero usa um par de barras cruzadas em que o peso do corpo é que trava a posição, através de dois casquilhos que apertam sobre a estrutura ao ser accionada uma patilha lateral. Recosta até aproximadamente 165 a 170°, com as pernas ligeiramente acima do nível do coração. É o formato mais confortável para períodos longos e o mais dependente da qualidade dos casquilhos: os de plástico duro desgastam e a cadeira começa a escorregar lentamente.

Por fim, os mecanismos assistidos por pistão a gás, herdados do mobiliário interior, aparecem em modelos de gama alta com apoio de pés integrado. Reclinam suavemente e travam em qualquer ponto, mas o pistão é a peça que falha primeiro no exterior por entrada de humidade na haste. Se o espaço é coberto, é uma boa escolha; num terraço aberto junto ao mar, não. O funcionamento genérico destes sistemas está descrito em mecanismos de cadeiras.

Ângulos, apoio de pés e espaço ocupado

PosiçãoÂngulo do encostoPara que serveProfundidade ocupada
Refeição95 – 100°Comer à mesa, conversar60 – 70 cm
Conversa recostada110 – 120°Café depois do almoço, leitura85 – 100 cm
Descanso135 – 145°Sesta curta, sol da tarde120 – 140 cm
Gravidade zero160 – 170°Períodos longos, pernas elevadas150 – 175 cm

A coluna da direita é a que mais gente ignora. Uma cadeira que ocupa 65 cm fechada pode precisar de 170 cm quando totalmente reclinada, e ainda de 20 a 30 cm de folga atrás para o encosto não bater na parede. Meça o espaço disponível na posição mais aberta que tenciona usar, não na posição de arrumação. Se a área é curta, uma cadeira que pára aos 140° pode ser mais útil do que uma que chega aos 170° e nunca poderá abrir por completo.

O apoio de pés vem em três formatos: integrado e articulado com o encosto, separado como banco independente, ou ausente. O integrado é o mais confortável e o que mais complica o mecanismo. O banco separado é a opção mais barata e tem uma vantagem prática — serve também de mesa de apoio. Sem apoio de pés, qualquer ângulo acima de 130° é desconfortável ao fim de vinte minutos, porque o peso das pernas puxa a bacia para a frente; veja o catálogo de bancos de apoio de pés na Amazon.es.

Se o objectivo é sobretudo estar deitado, o formato certo não é uma cadeira reclinável mas uma espreguiçadeira de jardim, com superfície contínua de 190 cm. A reclinável serve quem quer as duas posturas na mesma peça de mobiliário.

Bloqueio, entalões e carga suportada

As cadeiras reclináveis têm um risco que as fixas não têm: articulações que fecham sob o peso do utilizador. Os pontos críticos são a zona onde o braço lateral entra no encosto e a articulação do apoio de pés. Em modelos bem desenhados, essas zonas têm cobertura plástica ou uma folga que impede o dedo de entrar. Se comprar um modelo sem essa protecção e houver crianças em casa, mostre-lhes onde não se põem as mãos e evite deixar a cadeira semi-fechada.

A norma EN 581 exige, para mobiliário de exterior, ensaios de estabilidade e de resistência que no caso das cadeiras reclináveis são feitos em cada posição de bloqueio, não apenas na posição vertical. Isso importa: uma cadeira estável a 95° pode voltar-se para trás a 160° se a base não for suficientemente comprida. Repare se as pernas traseiras se prolongam para trás à medida que o encosto desce — nos modelos de gravidade zero, é a geometria das barras cruzadas que garante isto.

A carga declarada anda entre 110 e 150 kg. Nas reclináveis, o valor é mais relevante do que numa cadeira fixa porque a carga não se distribui pelas quatro pernas de forma constante: em posição aberta, quase todo o peso passa pela articulação. Se algum utilizador habitual estiver perto do limite indicado, suba um escalão de carga. A leitura correcta destes valores está em peso máximo de uma cadeira.

Que estrutura escolher para o seu clima

Todo o mecanismo tem peças que deslizam umas sobre as outras, e é aí que a corrosão faz estragos. Numa casa a menos de dois quilómetros do mar, uma estrutura de aço com pintura epóxi pode aguentar bem, mas os pernos, molas e casquilhos ficam presos ao fim de duas épocas se não forem inoxidáveis. Procure ferragens em inox A4 nessa faixa, ou uma estrutura integralmente em alumínio com pernos inox.

No assento, o textilene — fio de poliéster revestido a PVC — é o material com melhor comportamento em cadeiras reclináveis, porque seca em minutos e não retém água na posição deitada. As costuras devem ser em linha de poliéster resistente a ultravioletas; é sempre a linha que falha antes da tela, tipicamente na bainha lateral. Uma cadeira com almofada fixa em posição reclinada acumula água na dobra do assento e ganha bolor: se optar por almofada, escolha uma que se retire em segundos, como se explica em almofadas para cadeiras de jardim.

Duas vezes por época, aplique lubrificante seco de PTFE nas articulações e limpe os entalhes com escova. Óleo húmido atrai pó e transforma-se em pasta abrasiva. O ciclo anual completo está em como proteger cadeiras de jardim.

Opções recomendadas na Amazon

Melhor equilíbrio

Cadeira reclinável de exterior com entalhe multiposição em metal

  • 5 a 7 posições, encosto de 95° a 145°
  • Confirme entalhe em chapa metálica, não em plástico
  • Faixa habitual: 45 – 100 € por cadeira
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Descanso longo

Cadeira de gravidade zero dobrável com apoio de cabeça

  • Recosta até cerca de 165°, pernas acima do nível da bacia
  • Precisa de 150 a 175 cm de profundidade quando aberta
  • Faixa habitual: 55 – 130 €
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Terraço coberto

Poltrona reclinável em textilene com apoio de pés integrado

  • Apoio de pés articulado com o encosto, sem banco solto
  • Estrutura em alumínio com pernos inox para zonas costeiras
  • Faixa habitual: 90 – 200 €
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Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre cadeira reclinável e gravidade zero?

A reclinável comum trava o encosto em posições fixas, entre 95° e 145°. A de gravidade zero usa barras cruzadas e recosta até cerca de 165 a 170°, elevando as pernas acima da bacia. A segunda é mais confortável para períodos longos e ocupa muito mais espaço aberta.

Quanto espaço é preciso atrás de uma cadeira reclinável?

Entre 20 e 30 cm de folga para o encosto não bater na parede, além da profundidade total da cadeira aberta, que vai de 120 cm numa posição de descanso a 175 cm numa gravidade zero totalmente estendida.

O mecanismo das cadeiras de jardim reclináveis enferruja?

Os pernos, molas e casquilhos enferrujam se forem em aço zincado, sobretudo em zonas de maresia. Procure ferragens em inox e aplique lubrificante seco de PTFE nas articulações duas vezes por época. Óleo húmido atrai pó e piora o desgaste.

As cadeiras reclináveis viram-se para trás?

Não se cumprirem os ensaios de estabilidade da EN 581, que são feitos em cada posição de bloqueio e não só na vertical. Repare se as pernas traseiras se prolongam à medida que o encosto desce; se a base não crescer para trás, desconfie.